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Ailton Bento Araruna[1]

 

Um mistério encarnado se faz presente mais uma vez na História humana. Antes esperado pelo Povo da Aliança, anunciado pelos profetas, agora é presenciado e sentido no meio dos homens. Contudo, ele não encarnou apenas para se fazer carne e habitar entre nós, com também não esteve aqui apenas para nos mostrar os sinais messiânicos, mas também para se fazer sacrifício e nos livrar da morte, isto é, nos mostrar a ressurreição.

Assim, o Deus que se encarnou, que possui a mesma natureza humana que nós, vivenciado e lembrado no Ciclo do Natal (Tempo do Advento e Tempo do Natal), é o mesmo que realizou sinais nos meio dos homens de seu tempo para perceberem que ele é o messias esperado, assim é vivenciado no Tempo Comum, e agora no Ciclo da Páscoa (Tempo da Quaresma e o Tempo Pascal) somos convidados a aceitar o convite de Jesus (convertei-vos e credes no Evangelho) e reconhecer nele a nossa vitória sobre o laço que nos prendia na morte e nos afastava de Deus.

Assim, acontece no Tríduo Pascal (Quinta-feira Santa com a Missa da Ceia do Senhor, Sexta-feira Santa com a Celebração da paixão do Senhor e no Sábado Santo com a Vigília Pascal), Cristo é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo e leva na cruz a maior prova de amor pela humanidade, nós, assim o imitando, seremos herdeiros da vida eterna.

A liturgia é a presença e atualização da obra de Cristo, obra que tem como centro o seu mistério pascal. Nesta expressão (Mistério Pascal) está unida o conceito de Páscoa (de origem judaica) e o conceito de Mistério (de origem grega), compreendendo em significado os acontecimentos da salvação realizados por Cristo, desde a Anunciação-Encarnação até a Ressurreição-Ascenção, tendo como centro a morte e ressurreição de Cristo. Onde a Morte e a Ressurreição não são realidades estáticas, acontecimentos separados, mas uma realidade dinâmica, a unidade dinâmica do primeiro ao segundo dessa realidade indivisível, a passagem de um ao outro. Assim, a Páscoa é o mistério da vida brotando da morte, a passagem deste mundo a Deus realizado por Jesus Cristo em benefício de sua Igreja.

Na Semana Santa recordamos esses acontecimentos com a entrada messiânica de Jesus em Jerusalém e segue, passo a passo, com sua paixão e morte, até chegarmos na sua ressurreição, isso está claramente perceptível nas leituras que serão realizadas nas celebrações. O Domingo de Ramos com a bênção dos ramos, a cor vermelha da liturgia, a recordação da entrada em Jerusalém e do relato da paixão, imprimem nessa liturgia um caráter especial que a torna em uma bela oportunidade para evangelização.

A eucaristia da Ceia do Senhor, a liturgia da Sexta-feira Santa e a Vigília Pascal são três celebrações com as quais culmina a preparação quaresmal.

A missa da Ceia do Senhor é a recordação da instituição da eucaristia e o início do tríduo pascal. Nela, há um destaque para a observância do sacerdócio ministerial como serviço humilde e total, assim como fez Jesus ao lavar os pés de seus discípulos. Há o translado do pão consagrado ao lugar da reserva. Enquanto segue a adoração eucarística, a comunidade reza ao redor do Senhor (reza com o próprio Senhor) em memória de sua paixão e morte, na espera da ressurreição.

A liturgia da Sexta-feira Santa recorda a paixão e morte de Cristo. É sugerido que seja celebrada na mesma hora em que Cristo morreu na Cruz, às três horas da tarde. Não há a celebração eucarística, mas uma liturgia com comunhão (com a eucaristia celebrada na quinta-feira, estava guardada justamente para esse momento). É uma celebração sóbria, com a liturgia da Palavra, adoração da cruz e comunhão. É um dia de jejum.

A tristeza pela morte de Jesus, celebrada no dia anterior, prolonga-se simbolicamente até a celebração da Páscoa que se dá na Vigília Pascal. Esta é a mãe de todas as vigílias, pois nela, se a igreja espera vigilante a Ressureição de Cristo. Por isso, deve ser celebrada durante a noite, de tal maneira que ou tenha início depois do começar a noite ou acabe antes de iniciar o dia do domingo.

Com a vigília pascal, há o terceiro dia do tríduo e o dia máximo da festa do ano litúrgico. Essa celebração está repleta de símbolos: o fogo do início, o círio aceso nesse fogo e levado em procissão para o interior da igreja enquanto de canta “Eis a Luz de Cristo”; há o precônio pascal, bela obra da literatura litúrgica; a longa liturgia da palavra, percorrendo os acontecimentos da salvação desde o Antigo Testamento até o Novo Testamento; a celebração da iniciação cristã para os catecúmenos, para os pertencentes a Igreja há a renovação das promessas batismais acompanhada da aspersão com água benta; e, finalmente, a eucaristia, a memória agraciada pelo mistério pascal de Cristo.

O “Aleluia”, expressão omitida durante a quaresma, volta a ser cantada com renovada alegria a partir desse dia e se estenderá de maneira especial durante o tempo pascal.

O Tríduo Pascal é uma celebração que se estende por três dias, pois, como dito acima, não se pode entender a morte e ressurreição como acontecimentos separados, estáticos, mas uma dinâmica de dois acontecimentos, uma unidade dinâmica que tem início com o sofrimento e morte e se conclui com a ressurreição. Assim, a Igreja convida aos fiéis a compreenderem que a morte não é o fim de tudo, é apenas uma passagem para a vida eterna, o nosso prêmio; e não há ressurreição sem antes ocorrer a morte, a morte para um mundo que não tem Jesus como Senhor e modelo.

Virgem Imaculada, ajudai-nos, nas celebrações que se aproximam, a compreendermos o amor de Cristo pela humanidade, a morrermos para as ideologia e práticas que nos afastam de Cristo, e a sempre termos como meta a vida eterna, presente de Deus para seus filhos. Maria, Mãe da Igreja, que deu ao mundo a luz eterna, ensina-nos a seguir os caminhos desta luz que nos leva ao céu. Amém.

 

Saiba mais sobre a Semana Santa em:

https://www.youtube.com/watch?v=6oFN9D3JfB8

 

https://www.youtube.com/watch?v=5FJvh9XL02Y

 

https://www.youtube.com/watch?v=pMeHCpnUIVg

http://www.presbiteros.com.br/site/homilia-do-d-henrique-soares-da-costa-%E2%80%93-sexta-feira-santa-%E2%80%93-ano-a/

[1] Aluno do quinto semestre do Curso de Teologia no Centro Universitário Unicatólica, Quixadá-CE. E-mail: ailtonarquivos@gmail.com.

Author

Mychelle Santos

Estudante de Jornalismo pela Universidade Federal do Cariri. Gerente de Mídias e Produção de Conteúdos.

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