“Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra – Lucas 1:38”

A Pessoa de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, desceu dos céus e fez morada no meio da criação. Com seus gestos e ações, mostrou a humanidade a verdadeira vida desejada por Deus em favor do gênero humano. Com os Dez mandamentos, Deus fala aos corações duros o seu projeto de vida entre ele e a humanidade e entre os homens. Contudo, não fomos capazes de compreender essa vontade, e terminamos praticando a lei de maneira errada, fazendo dela nossas correntes e não nossa prática de liberdade. Por amor, o Deus que ama, enviou o seu Filho amado para encarnar a Lei e nos revelar a verdadeira Lei que transforma os corações endurecidos: o amor.

Esse amor envolveu a Virgem Imaculada de tamanha forma que a fez caminhar os meus passos de seu Filho enquanto esteve no meio de nós, desde a concepção à Ascensão aos Céus. Caminhar nos mesmo caminhos, trilhar os meus passos, isto é, assemelhar-se nas mesmas ações de tal maneira a ser um outro cristo, que ama e deseja fazer a vontade do Pai, que é apaixonado pela humanidade. Venho lembrar que paixão deriva do termo latino passionis (sofrer)¸ por isso celebramos a Paixão de Cristo, isto é, o sofrimento de Cristo. Consequência de seu amor pela humanidade, um amor que leva ao máximo de si, pois ele nos amou até o fim, fim de cruz.

A Virgem Imaculada não foi indiferente a esses momentos de seu Filho, antes foi semelhante, que por amor, sofre, um sofrimento que se une ao sofrimento de Cristo. Durante a vida do seu Filho, a Virgem Imaculada padeceu por amor a Deus, por fazer a sua vontade, por ser fiel ao seu sim, não um sofrimento fruto de castigo, mas fruto de amar a humanidade no projeto de Deus. Assim, nos encontramos em um itinerário que nos leva a refletir momentos na vida da Virgem Imaculada que nos faz invoca-la sobre o título de Nossa senhora das Dores.

Na Apresentação de seu Filho no templo, a Virgem das Dores ouviu a profecia de Simeão “E Simeão os abençoou, e disse a Maria, sua mãe: Eis que este é posto para queda e elevação de muitos em Israel, e para sinal que é contraditado (E uma espada traspassará também a tua própria alma); para que se manifestem os pensamentos de muitos corações – Lucas 2:34,35”.

A Virgem Maria sabia que uma espada lhe transpassaria a alma, mas confiante em Deus e no seu projeto, jamais vacilou. Mostrando-nos a virtude da obediência, pois só desejava “fazer segundo a vossa vontade”.

Pouco tempo depois, devido à perseguição, começou A fuga para o Egito, a Virgem das Dores sentiu a dor em saber que procuravam matar o seu Filho, um inocente. Exilada, sofreu, mas suportou tudo com amor e alegria em saber que era instrumento cooperador na salvação da humanidade.

Ocorreu o “inesperado” na viagem de volta de Jerusalém à Nazaré: A perda do Menino Jesus. Como povo judeus, era costume nas viagens a formação de dois grupos: homens e mulheres. As crianças ficavam transitando durante a viagem por esses grupos. Por isso, a Virgem das Dores pensava que seu Filho estava com São José, e este pensava que Ele estava com sua Mãe, por três dias o procuraram. A mãe se viu sem seu Filho, não por terem o tirado de seus braços, mas porque ela o perdeu. A dor e a agonia que a invadia era de ter perdido o seu Filho e Filho de Deus, aquele imenso tesouro que lhe fora entregue, confiado. Mas, ao encontra-lo, sua resposta (“Eu vim ao mundo para cuidar dos interesses de meu Pai, que está no Céu”) a fez perceber que sua missão também era sofrer pela Redenção do gênero humano. A Virgem das Dores sofria em favor da humanidade.

Este sofrimento foi ainda mais perceptível e maior ao se aproximar o seu maior ato de amor. A Virgem das Dores vivencia o Doloroso encontro no caminho do Calvário, vendo seu filho carregando uma pesada cruz e sendo insultado como se fosse um criminoso por aqueles que eram amados por Ele. Lembrou de suas palavras: “É necessário que o Filho do homem padeça muitas coisas, e seja rejeitado dos anciãos e dos escribas, e seja morto, e ressuscite ao terceiro dia. – Lucas 9:22”. Ela o olhou nos olhos e, como uma mãe, sentiu sua Grande Dor. Nada fez para evitar ou aliviar essa dor, pois sabia que era necessária para salvação da humanidade. Mostrando-nos a necessidade de unir o nosso sofrimento ao sofrimento de Cristo, que foi ainda maior. Aprendeu a sofrer em silencia, como seu Filho sofreu neste encontro no caminho do Calvário.

Após esse encontro, a sua maior provação se deu Aos pés da Cruz, assistindo à morte de Jesus, com a alma e meu coração transpassados com as mais cruéis dores. Foram três horas de tormentosa agonia de ver o Filho morrendo. A Virgem das Dores entregava a sua imensa dor ao Pai, pedindo, como Jesus, perdão para os criminosos. Aprendendo a virtude da humildade, mesmo sendo Deus, se humilhou para nos mostrar o quanto somos orgulhosos.

O ápice de sua dor foi ao ver Uma lança atravessar o Coração de Jesus. Neste momento percebe-se dois altares, em um (na cruz) a lança atravessa o coração, era imolado o Filho, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo; em outro (aos pés da cruz) a lança atravessa a alma, era imolado a Mãe, a serva do Senhor que faz tudo aquilo que Ele disser. Após, a mãe recebe em seus braços o seu filho, o mesmo corpo que outrora recebera em Belém, tão inocente e belo, agora o ver em seus braços o que antes chamava de “meu menino”, meu filho, o ver parado, sem vida, sem olhar. Que troca fez aos pés da cruz, o Filho de Deus pela humanidade representado no discípulo amado (Ora Jesus, vendo ali sua mãe, e que o discípulo a quem ele amava estava presente, disse a sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho – João 19:26).

Ao fim dessa paixão, desse sofrimento, Jesus é sepultado. A mãe ver seu filho sendo sepultado, ele que se sujeitou à tanta humilhação. Deus amou a humilhação. A humildade não rebaixa o homem, pois Deus Se humilhou até à sepultura e não deixou de ser Deus.

A nossa união ao sofrimento de Jesus, assim como a Virgem Imaculada se uniu, nos mostra a necessidade de se fazermos outro cristo, desde o Nascimento à Ascensão, onde passaremos também pela sua paixão (sofrimento), morte e alcançaremos a ressurreição no terceiro dia.

Neste ano de 2018, os dias da semana nos ajudam a entender melhor esse mistério. Ontem, sexta-feira (lembrando da sexta-feira da Paixão), celebramos a Exaltação da Santa Cruz, onde Jesus nos deu sua maior prova de amor. Hoje, sábado, celebramos Nossa Senhora das dores aos pés da Cruz, sendo obediente aos projetos de Deus. E amanhã, domingo (o Dia do Senhor), celebraremos a Ressurreição de Jesus, o maior dom de Deus. Vivamos esse mistério em nossas vidas com gestos e ações e sejamos tão cristãos ao ponto de olharem para nós e dizerem: aquele parece com Cristo.

Ó Maria, Nossa Senhora das Dores, que foi concebida sem pecado e sofreu por todos nós, rogai por nós!

Promessas feitas aos devotos de Nossa Senhora das Dores

Nas revelações feitas a Santa Brígida, aprovadas pela Igreja Católica, Nossa Senhora prometeu oferecer 7 graças a todos os que lhe oferecessem devoção, rezando todos os dias 7 Avé Marias em homenagem pelas suas sete dores:

1ª – Porei a paz nas suas famílias.

2ª – Serão iluminados sobre os Divinos Mistérios.

3ª – Consolá-los-ei nas suas penas e acompanhá-los-ei nos seus trabalhos.

4ª – Conceder-lhes-ei tudo o que me pedirem, contanto que não se oponha à vontade de meu adorável Divino Filho e à santificação de suas almas.

5ª – Defendê-los-ei nos combates espirituais contra o inimigo infernal e protegê-los-ei em todos os instantes da vida.

6ª – Assistir-lhes-ei visivelmente no momento da morte e verão o rosto de Sua Mãe Santíssima.

7ª – Obtive de Meu Filho que, os que propagarem esta devoção (às minhas Lágrimas e Dores) sejam transladados desta vida terrena à felicidade eterna, diretamente, pois ser-lhes-ão apagados todos os seus pecados e o Meu filho e Eu seremos a sua eterna consolação e alegria.

 

 

 

 

 

Ailton Bento Araruna

Graduando em Teologia pelo Centro Universitário Unicatólica de Quixadá-CE

Filósofo (licenciado)

Analista e Desenvolvedor de Sistemas

Author

Mychelle Santos

Estudante de Jornalismo pela Universidade Federal do Cariri. Gerente de Mídias e Produção de Conteúdos.

Related Posts

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.