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Quero aqui fazer uma pequena reflexão com vocês, reflexão que fizemos a alguns dias no grupo Arco-íris de Misericórdia, em Barbalha-CE, grupo da Comunidade Aliança de Misericórdia.

Para isso usaremos o exemplo de duas pessoas distintas: o filho e o servo. Imaginemos então um homem que vivia na época de Jesus, e que tinha um filho, e que tinha também alguns servos que trabalhavam em sua vinha. Certo, com estas duas personalidades faremos uma simples comparação entre elas em relação ao homem, pai e dono da vinha.

O Servo

O servo é aquele que a única coisa que quer do seu senhor é o pagamento de seu salário, que a única coisa que faz é servir ao dono da vinha sem outro compromisso. O servo sai de sua casa e se dirige logo cedo para seu posto de trabalho desejando apenas cumprir sua obrigação, e se possível nem encontrar o senhor para não ter que passar por constrangimentos, ou para não ter que trabalhar mais. Ele vê, geralmente, o patrão como um opressor, um explorador, onde a relação e convivência devem ser as mínimas possíveis. Ele só se alegra em ver o patrão no dia, ou na hora, de receber seu salário, e as vezes nem isso. Há servos que chegam até a ficarem felizes por saberem que seu patrão está doente e não poderá visitar a vinha hoje. E reza para que chegue logo o fim do dia para poder ir embora, sem ter que prestar nenhuma satisfação ao patrão.

Ou seja, a relação do servo com o senhor da vinha é meramente profissional, como dizem em nossos tempos. Convido-o agora, caro leitor, a fazer uma breve reflexão de como é sua relação com seu patrão ou encarregado, talvez não seja nada disso que exemplifiquei a cima, mas não há como negar que o cunho profissional e financeiro fala mais alto nesta relação.

O filho

O exemplo do filho é diferente, ele quer do pai muito mais que simples bens materiais, ele quer carinho, amor e estar perto, seus compromissos com o pai vão muito além. O filho quer ver o pai logo cedo quando acorda, poder tomar-lhe a bênção, tomar café juntos. O filho vê o pai por fases: quando criança ele é um herói, quando adolescente ele é um bandido, e quando adulto ele sabe que o pai não herói, e que talvez possa ser um bandido, mas o ama, acima de todas as circunstâncias. Para ele o pai não é um opressor, mas sim um educador. O filho se alegra ao ver pai, principalmente quando passa muito tempo longe. – Meu pai sempre trabalhou viajando e para mim sempre foi uma alegria quando o via chegar-. O filho se entristece quando o pai adoece, e lhe presta quanto socorro for possível, sabendo que antes foi cuidado por ele. O que o filho quer ao fim do dia é poder sentar na mesma mesa que o pai e poder comer do mesmo pão que ele, poder olhar em seus olhos e ver naquele rosto cansado a expressão mais bela de amor.

A relação entre pai e filho vai além de barreiras materiais, vai além do que nosso entendimento percebe e não se resume a interesses meramente humanos. Mias uma vez faça um reflexão de como é sua relação com seu pai, mesmo que você o veja como um bandido, e se você por ventura não conhecer seu pai considere a figura paterna que esteve sempre presente em sua vida, seja avô, tio ou irmão.

Nós enquanto filhos ou servos

Agora façamos uma substituição, o senhor da vinha, o pai, é Deus em sua infinita misericórdia. Nós, eu e você podemos nos colocar no lugar do servo ou do filho, mas antes preciso analisar com quem eu tenho parecido mais em relação a Deus, se com o filho ou com o servo.

Será que minha relação com Deus tem sido algo meramente material, com interesses humanos de fama e sucesso? Será que a única coisa que eu quero é trabalhar e ter meu salário e meus bens sem satisfação nenhuma dar ao Pai, sem agradecer?

O próprio Cristo disse que nós não somos mais chamados servos, (Jo 15,15) e João disse: “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser…” I Jo 3,2. Deus não nos quer como simples servos, Ele quer intimidade, quer estar perto de nós cada vez mais. No versículo anterior João diz que o mundo não nos reconhece porque somos filhos de Deus, e diz: “Veja como é grande o amor de Deus Pai para que sejamos chamados de filhos”. Será que não percebemos tamanho amor? Se percebemos nos resta retribuir com amor e não por obrigação.Veja, o café da manhã que tomamos com o Pai são nossas orações matinais, o abraço que o damos a noite são as noturnas. Sentar-se a mesa com Ele é participar da Santa Missa, o maior banquete de todos. Pense nisso, passe mais tempo com o Pai!

 

Paz e Misericórdia!

 

Author

Jayr Alencar

Jovem Analista de Sistemas, membro da comunidade católica Aliança de Misericórdia, programador, escritor e administrador no site Clube dos Geeks. "Feliz o homem que suporta a tentação. Porque, depois de sofrer a provação, receberá a coroa da vida que Deus prometeu aos que o amam." (Tiago 1, 12)

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