O Patriarca da Sagrada Família é um dos santos mais populares da Igreja cuja intercessão é invocada por milhares de católicos espalhados pelo mundo. Mas por que São José se tornou um santo tão conhecido e amado pelos fiéis? São José devotou sua vida aos cuidados de Jesus e Maria. Vivendo do trabalho de suas mãos, como carpinteiro, sustentou sua família com dignidade e exemplo. O carpinteiro também é considerado uma pessoa “justa” (Cf. Mt 1, 19). Qual a razão desta virtude?

O glorioso chefe da família do Redentor possuiu uma vida muito simples, foi um carpinteiro, judeu religioso e praticante cujo papel foi importantíssimo para a formação humana da personalidade de Jesus. Talvez estas qualidades tornem São José um santo tão popular, o qual as pessoas se identificam, se sentem próximas e amparadas por sua intercessão. É da pena de Santa Tereza d’Ávila, grande mística da Igreja, que nos é dado um dos maiores testemunhos e motivos para recorremos sempre às orações ao pai adotivo de Jesus:

“Não me lembro de até hoje lhe ter pedido alguma coisa que não ma tenha concedido, nem posso pensar sem admiração nas graças que Deus me tem concedido por sua intercessão e nos perigos de que me tem livrado, tanto para a alma como para o corpo. Parece-me que Deus concede aos outros santos a graça de nos auxiliar nesta ou naquela necessidade, mas sei por experiência que São José nos socorre em todas, como se Nosso Senhor quisesse fazer-nos compreender que, assim como Ele lhe era submisso na terra, porque estava no lugar de pai e como tal era chamado, também no céu não pode recusar-lhe nada.”[1]

São Francisco de Assis e Santa Tereza d’Ávila foram um dos maiores propagadores da devoção a São José cuja memória litúrgica fora inserida no calendário Romano em 1479. Sua festa é celebrada no dia 19 de março e, em 1870, o papa Pio IX o declarou Patrono Universal da Igreja. O papa Bento XV declarou-o como patrono da justiça social. É aí que floresce uma das virtudes mais reconhecidas na figura do glorioso Patriarca, isto é, a de um homem “justo”.

São José foi um pai que ensinou ao filho o caminho da justiça, da verdade, do amor e do conhecimento da Palavra de Deus. Não é à toa que São José é chamado de “justo” desde os Evangelhos. Na Sagrada Escritura, justiça equivale à santidade, que é o estado de graça, pelo cumprimento da Lei. Quando alguém obedece perfeitamente à lei de Deus, amando a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo, este cumpre a justiça do Reino. O salmo 91(92) nos diz que “O justo crescerá como a palmeira,
florirá igual ao cedro que há no Líbano”. Justiça, portanto, é muito mais do que obedecer prescrições normativas a serem seguidas costumeiramente. São José é “justo” porque acolheu perfeitamente o projeto amoroso de Deus na sua vida, conformando sua vida à Dele.

São José foi justo porque não temeu receber Maria em sua casa (Cf. Mt. 1, 20), ou seja, tomar a Virgem em sua vida significava acolher o próprio Salvador da humanidade, o Justo sacrificado pelos injustos. O chefe da família de Nazaré nos dá uma verdadeira lição de simplicidade e serviço, pois, tendo em sua casa duas pessoas maiores do que ele, tornou-se solicito de uma maneira extraordinária.

Se quisermos imitar o magnífico exemplo de São José, é preciso que não temamos acolher aquilo que Deus prepara para cada um de nós, cristãos batizados. Deixar a nossa alma aberta para que a graça divina tome conta do nosso ser. Ser justo, a exemplo do Patriarca de Nazaré, significa acolher o projeto salvífico revelado por Jesus e, a partir disto, vivenciá-lo em nossa vida quotidiana.

A palmeira da justiça em nossas vidas florirá à medida que nos dispomos a escutar os ensinamentos evangélicos e tomá-los em nossas vidas. Diante da falta de fé presente nos dias de hoje, e da progressiva retirada da questão de Deus nos âmbitos sociais, faz-se mais ainda importante que sejamos testemunhas da justiça divina.

O papa Leão XIII, na encíclica Quamquam Pluries, em 1889, já conclamava os cristãos a serem testemunhas da justiça da fé: “Vemos como num grandíssimo número de fiéis desaba a fé, fundamento de todas as virtudes cristãs; resfria-se a caridade; a juventude cresce na depravação dos costumes e das ideias; a Igreja de Cristo é assaltada por todo lado com a violência e a fraude”[2].

Se a fé desaba, o fundamento das virtudes cristãs desaparece. O testemunho de São José, pois, nos impulsiona a sermos cada vez mais arautos da graça divina impressa em nossas vidas. Oxalá abríssemos os nossos corações para compreender, como São José o fez, isto é, a urgência em orar e tornar está oração viva no autêntico testemunho cristão.

 

[1] Livro da Vida, VI, 6.

[2] Papa Leão XIII, Carta Encíclica Quamquam Pluries, 15 de agosto de 1889, n. 3-4. In: Documentos de Leão XIII, São Paulo, Paulus, 2005, pp. 373-374.

 

Enviado pelo Seminarista Jeferson Santos

Author

Mychelle Santos

Estudante de Jornalismo pela Universidade Federal do Cariri. Gerente de Mídias e Produção de Conteúdos.

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